E-lixo: o desafio da modernidade

24/07/2012

O crescimento mundial de lixo eletrônico é de 40 milhões de toneladas por ano. Um desafio que só pode ser vencido com a colaboração entre consumidores, fabricantes e governo.

E-lixo: o desafio da modernidade
A melhor solução é o reaproveitamento. É hora de aumentar os postos de trabalhos e iniciativas formais e reguladas de coleta e manejo do lixo eletrônico
Qual foi a última vez que você trocou o seu celular, a sua TV ou o seu computador? Não deve fazer muito tempo. E é bem capaz que você não os tenha substituído porque pararam de funcionar, mas porque é, de fato, muito bom usufruir das versões atualizadas dos eletrônicos que fazem, cada vez mais, parte do nosso dia a dia. Com a rapidez da evolução tecnológica, nossos equipamentos ficam obsoletos quase que num piscar de olhos. Mas junto com tanta inovação, surge o desafio de estarmos atentos a como descartamos todo esse lixo eletrônico.
Divulgado em 2010, o último relatório sobre o tema (em inglês), publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), revelou que a produção mundial de lixo eletrônico cresce cerca de 40 milhões de toneladas anualmente. Só no Brasil, cada pessoa gera, em média, 0,5 kg de lixo eletrônico por ano.
A situação é complexa já que em geral, esses resíduos sólidos contêm mais de 60 elementos químicos – alguns deles nocivos a saúde e ao meio ambiente. E procedimentos como a recuperação de metais preciosos, contidos nesses aparelhos, têm baixas taxas de retorno, além de liberarem gases poluentes.
Diante desse fato e apesar de toda a tentação, é importante considerarmos um consumo descendente de eletrônicos. Afinal, será que precisamos de todos esses gadgets? Pesquisas recentes mostram, que além de nos controlarmos na hora de consumir, a melhor solução é apostarmos alto no reaproveitamento. Ou seja, é hora de aumentar os postos de trabalhos e iniciativas formais e reguladas de coleta e manejo do lixo eletrônico.
Outra atitude responsável é optarmos por aparelhos multifuncionais ou mesmo pela substituição da função. Um aparelho velho que tenha memória pode muito servir de pen-drive e HD externo. Antes de jogar fora, avaliar as condições de conserto é uma boa saída também para diminuir o montante de lixo descartado no mundo.
Especializado em separar
Apesar da dificuldade e alto valor do processo de coleta seletiva, o Brasil, desde 2009, tem um Centro de Descarte e Reuso de Resíduos de Informática (Cedir) coordenado pela Universidade de São Paulo, onde 12 toneladas de lixo eletrônico oriunda de equipamentos de informática são desmontadas e separadas a cada mês. “Existe uma falta de consciência sobre o assunto. Já existem postos de coleta espalhados. Não podemos continuar a dar aparelhos velhos aos sucateiros, que apenas vão retirar as partes que podem vender”, alerta Tereza Carvalho, coordenadora do Cedir.
Por lá, a primeira etapa do processo é averiguar a possibilidade de funcionamento do aparelho. Caso tenha conserto, o material é enviado a uma instituição de inclusão digital que o envia novamente ao centro quando a vida útil do aparelho é realmente atingida.
Na separação, o plástico e partes de fácil reciclagem são removidas. O que resta são os pedaços que contêm metais. O projeto tem atenção redobrada à destinação de tipos específicos de materiais, que são enviados para empresas especializadas na correta destinação das substâncias.
E se o Cedir não trabalha com eletrônicos, como sons e celulares, a boa notícia é que as empresas responsáveis pela criação e montagem desses aparelhos devem recolher os usados – e isso é direito do consumidor exigir.
Algumas empresas de telefonia já possuem programas de gestão de resíduos eletrônicos. Para o Instituto de Defesa ao Consumidor (Idec), a Vivo, Tim, HP, Claro, Itautec e Philips receberam as melhores notas em pesquisa sobre coleta, devolução, manejo e reciclagem dos produtos entregues em suas lojas. Veja alguns pontos de coleta nesse mapa e conheça o Descarte Certo, empresa que recolhe e-lixo de casa em casa mediante pedido!
E nesse contexto, fica sob a responsabilidade do Governo, a regulamentação e fiscalização para que a Nova Política Nacional de Resíduos Sólidos – que vai além do lixo eletrônico - seja de fato cumprida pelas empresas. Segundo a gerente de Resíduos Perigosos do Ministério do Meio Ambiente, Zilda Veloso, a nova lei atribui às empresas a responsabilidade da correta destinação de seus produtos.
A solução está na criação de um diálogo aberto entre consumidores, empresas. E governo. De um lado é necessário ter compradores conscientes que planejam o uso do equipamento e do outro, fabricantes que tenham uma visão de longo prazo e que incluam a reciclagem do produto como parte da sua cadeia de valor. Quanto ao governo, cabe a vistoria e monitoramento dessas ações.
(Com informações da PNUMA, Cedir, Lixoeletrônico.org)
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Comentários
  • Wagner A. Moreno 17/09/2012

    Neste site pode-se encontrar um destino ao seu "lixo" eletrônico: http://www.museudocomputador.com.br/

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