Rio+20: chegou a hora!
Por Emi Sasagawa - 14/06/2012Entenda o que está em pauta na maior Conferência sobre desenvolvimento sustentável do planeta.
Há 20 anos, a ECO-92 mobilizou o mundo e trouxe a tona a importância de conciliar o desenvolvimento socioeconômico à conservação dos ecossistemas do planeta. Vinte anos se passaram, e se por um lado podemos perceber avanços como por exemplo, um aumento de 30% no PIB per capita global e uma redução de 32% no número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, essas conquistas não aconteceram sem ônus. Nesse período, houve também um aumento de 13% no desmatamento e um acréscimo de 0,4°C na temperatura média do planeta. É por essas e outras razões que nessa semana, representantes do mundo voltam a se reunir no Rio de Janeiro para discutir novos paradigmas rumo ao desenvolvimento sustentável.
No foco da Rio+20 estão dois temas principais: a economia verde e a governança para a sustentabilidade. Os debates sobre o primeiro tema ressaltam o potencial inclusivo desse novo modelo econômico. Pesquisas indicam que será possível gerar, em 20 anos, até 60 milhões de novos empregos verdes no mundo. E que um investimento de U$ 1,3 trilhão por ano (2% do PIB global), até 2050, seria suficiente para fazer a transição para economia verde – para se ter uma noção, o mercado mundial de drogas ilícitas movimenta 1,8 trilhões, anualmente.
Já os debates sobre a governança, discutem melhorias na coordenação e eficácia de atividades da ONU dedicadas ao desenvolvimento sustentável, tal como a criação de um órgão internacional voltado ao meio ambiente – a Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente, ou ONUMA, para atuar com maior autonomia ao lado do Pnuma e do CBS, principais órgãos em atuação no momento.
Ainda assim, a ausência de países como os EUA e o Reino Unido, tem levado muita gente a não acreditar no sucesso da Conferência. A falta de preparação, vista especialmente na ausência de políticas concretas no esboço do documento final da Rio+20 (ou Draft Zero), também é uma crítica ao evento. E, de fato, para se obter uma solução real e duradoura capaz de nos conduzir rumo a um desenvolvimento sustentável, é preciso envolver a todos: governo, empresas, organizações e sociedade civil.
Esta última está sediando um evento próprio, paralelo à Rio+20 (onde estarão presentes apenas chefes de Estado e convidados), a Cúpula dos Povos. Trata-se de um espaço aberto para qualquer cidadão que queira discutir um futuro mais sustentável para todos. Boa Parte das atividades da Cúpula se concentram no Aterro do Flamengo, são 54 organizações participantes e 1.011 atividades inscritas – desde palestras e debates até peças de teatro e apresentações. Além disso, mobilizações espalhadas por todo o planeta marcarão o Dia da Ação Global (20/06).
Mas como o Brasil se encaixa em tudo isso? Como o país que propôs a Rio+20, em 2007, e que está presidindo a reunião, devemos agir como exemplo para o resto do planeta. Esta é uma oportunidade de exercemos liderança, mostrando a nossa disposição para melhorar. Ainda temos chão a percorrer, mas já começamos a nossa caminhada rumo ao desenvolvimento sustentável. No Brasil, hoje, 46% da matriz energética vem de fontes alternativas e 98% do alumínio produzido no país é reciclado, um exemplo para o mundo todo. Além disso, desenvolvemos ao longo dos anos políticas para enfrentar alguns dos nossos maiores desafios como a mobilidade urbana, os resíduos sólidos e a proteção e conservação da biodiversidade (20% de toda a biodiversidade do planeta está em território nacional).
O desenvolvimento sustentável é, acima de tudo, uma oportunidade. Uma nova forma de viver em sociedade que gera benefícios para todos. Como disse Aron Belinky, especialista da organização Viate Civilis, “A Rio+20 vai muito além desse evento principal. Ela é o que fizemos antes, o que estamos fazendo agora e o que faremos depois.” Por isso é importante aproveitar a Conferência para reestruturar os nossos planos e construir novas metas. Não basta só discutir. É preciso agir.”
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