Exportando o açúcar justo
07/08/2012Agricultores de Maurício usam o comércio justo para crescer economicamente.
Dois anos atrás os agricultores de Maurício enfrentaram um grande desafio. A crise financeira europeia já tinha se espalhado por todos os cantos do mundo, causando reduções significativas nos preços de vários alimentos. Um dos maiores produtores de açúcar da África o país passou por dificuldades extremas quando o preço deste produto caiu 36% em três anos. Lutando para sobreviver, eles foram em busca de alternativas e encontraram no comércio justo a resposta que precisavam.
Desde então, através de práticas de cultivo sustentável, eles puderam ver como é possível ganhar um bom rendimento e fazê-lo de uma forma que proteja o meio ambiente de fertilizantes e produtos químicos nocivos.
Além do que, os agricultores perceberam que produtos com o rótulo do comércio justo geralmente vendem melhor na Europa e nos Estados Unidos, mesmo sendo mais caros, já que satisfazem padrões internacionais ambientais, trabalhistas e de desenvolvimento. No caso do açúcar, por exemplo, paga-se 60 dólares a mais por tonelada se tiver esta certificação. Segundo Jean-Philippe Zanavelo, representante do comércio justo em Maurício, consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos de boa qualidade e o selo do comércio justo representa exatamente isto.
Para receber a certificação, vários produtores tiveram que mudar o jeito em que cultivam o açúcar, aderindo a regras estabelecidas pela Organização do Comércio Justo. Nestes primeiros anos, o governo tem ajudado os agricultores a arcar com os custos adicionais do rótulo. Mas espera-se que no futuro estes possam cobrir as despesas sozinhos.
O movimento alavancou em 2011, envolvendo 4.500 agricultores de 32 sociedades cooperativas. Neste primeiro ano, eles ganharam 701 mil dólares em renda, uma grande diferença dos 492 mil dólares que haviam ganhado em 2010. “Os critérios a serem seguidos para conseguir a certificação podem ser restritivos, mas eles nos ajudam a melhorar a qualidade de nossos produtos e ganhar uma renda maior”, disse Kishan Fangooa, um agricultor, à IPS.
Além desses benefícios mais evidentes, os agricultores recebem subsídios, doações em dinheiro e empréstimos a juros baixos. E também tem o envolvimento com a sociedade. Cada produtor deve partilhar alguns dos seus rendimentos com suas comunidades locais através do financiamento de atividades sociais ou auxiliando no desenvolvimento das aldeias. Ou seja, é uma daquelas situações em que todo mundo ganha.
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