Professor português cria comunidade de aprendizagem em Cotia

Por Nara Prem - 03/10/2013

Modelo educacional inovador agrega todo o entorno: alunos saem da escola 1 vez por semana para estudar questões locais com os moradores.

>
Professor português cria comunidade de aprendizagem em Cotia
“Escola são as pessoas e as pessoas são os seus valores”, defende Pacheco.

Até outubro, a cidade de Cotia, em São Paulo, deverá ganhar um projeto educacional sem precedentes no País. Trata-se da mais nova empreitada do professor português José Pacheco, que esteve por anos construindo a Escola da Ponte, em Portugal, e há um ano e meio coordena o Projeto Âncora, em Cotia.

O que vem pela frente pode ser chamado de segunda fase do que foi implementado por ele desde 2012 no local. A ideia é integrar todo o entorno (não só as crianças) em uma rede de saberes, ou como ele mesmo prefere dizer, em uma “comunidade de aprendizagem”.

No Âncora, as crianças são estimuladas a desenvolver a autonomia no aprendizado. Tutores as auxiliam a organizar seu tempo para que elas decidam por si sós o que e como vão estudar. Não há salas de aula, turmas ou provas, mas sim um espaço colaborativo de troca e ajuda mútua.

E agora que muitas delas já estão empoderadas do método, chegou a hora de dar um passo além: uma vez por semana, elas deixarão a escola para estudar dentro de sua comunidade, com quem mora ali. Para isso, alguns “espaços seguros” vão servir de base para o estudo, como o posto médico ou a igreja. E são nesses lugares que as crianças vão se apropriar da realidade do lugar em que vivem e buscar respostas para as questões confrontadas, seguindo a teoria de Pacheco, chamada “MC² - mudança potencializada por contágio e contexto”.

“Vamos partir para a metodologia popular, como medicina e  gastronomia populares e saberes informais. Tudo isso a custo zero praticamente. Todos serão envolvidos, afinal, para a transformação ser efetiva todo o entorno precisa ser afetado e transformado. Queremos que essa experiência possa ser multiplicada em outras comunidades”, comenta.

Por trás dos alunos, estará uma equipe de educadores auxiliando-os nesse processo. Haverá ainda, uma plataforma virtual desenvolvida especialmente para que possam estudar longe da escola.

Todo o projeto está pautado em três currículos paralelos: o individual, o social e o comunitário. O primeiro deles preza pelo ritmo e intencionalidades próprias, em que cada um direciona o seu estudo a partir de interesses individuais; o segundo segue os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) e olha para tudo o que é comum e importante para a sociedade; e o último deles engloba os assuntos pertinentes à comunidade na qual aquele aluno está inserido. Em uma comunidade caiçara em que Pacheco dá consultoria, eles colocaram em seu currículo aulas de técnica de construção naval, surfe e pesca.

E para quem questiona os descondicionamentos de Pacheco, ele pontua: “Escola são as pessoas e as pessoas são os seus valores. Ninguém tem o direito de dizer o que alguém deve ou não estudar”. É aguardar para conferir de perto as boas mudanças que vêm por aí.

Comente via asboasnovas.com
Comentários
  • fernanda 24/10/2013

    ôk

  • Denis Roger Soeltl 16/11/2013

    O mundo novo que estamos vendo nascer, irá romper profundamente com os métodos tradicionais de educação. A educação deve ter como elemento central o aluno, suas aspirações, sua comunidade e o professor, com sua experiência, será o condutor, o orientador privilegiado, a indicar os caminhos corretos, conduzindo o aluno em sua jornada, sem limitá-lo, sem robotizá-lo ou incutir nele os ideais de uma sociedade perturbada e mecanizada....

  • LUCILIA RODRIGUES MIGUEL 03/11/2013

    Admiro o trabalho dos educadores do Projeto Âncora! Assisti uma palestra do Prof. José Pacheco e acreditei mais ainda no poder da educação. Tomara essa concepção de educação se espalhe pelo nosso país!

Comente via Facebook